Governo do Maranhão cumpre medidas de reparações imateriais do caso Francisco de Assis Ferreira
No dia 05 de novembro de 1991, o lavrador Francisco de Assis Ferreira (44 anos, no momento do fato), foi assassinado com um tiro no peito e outro nas costas, quando retornava da roça para almoçar em casa, na gleba Conceição do Salazar, em Codó. O lavrador era uma liderança sindical, que lutava pelo acesso à terra. Assis, como era conhecido, foi uma vítima da violência no campo, uma triste realidade brasileira. Em defesa da sua memória, da verdade e como uma forma de promover reparação imaterial, o Governo do Maranhão instaurou, em 2020, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP), o processo administrativo n° 31.355.
O processo segue as recomendações do acordo n° 12.726 – Francisco de Assis Ferreira e familiares, estabelecido no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que contempla a conclusão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que aponta a responsabilidade civil do Estado Brasileiro pelo assassinato do lavrador e aponta a necessidade de reparação imaterial, reabertura das investigações, atenção à saúde dos familiares e estruturação de políticas públicas de não repetição.
“Neste sentido, investimos na dispensa de diversas homenagens ao Assis, que representa não só a luta pela terra, mas também a necessidade de protegermos os defensores e defensoras de direitos humanos, garantindo a vida dessas pessoas e o direito de continuar as suas lutas, que reivindicam um mundo melhor, uma vida digna e aponta para nós, gestores, os reais problemas do nosso Estado. Em 1991, o Estado falhou e nós atuamos para não falhar mais. Deste modo, trabalhamos com a estruturação de políticas públicas e de ações que enfrentem e previnam a violência no campo, tais como: a manutenção do funcionamento do Programa Defensores, a certificação de comunidades tradicionais, as mediações promovidas pela Coecv, o trabalho das adjuntas de Povos e Comunidades Tradicionais e de Povos Indígenas, além da atuação da Secretaria de Estado de Igualdade Racial.”, destacou a Secretária de Estado de Direitos Humanos, Amanda Costa.
A manutenção de tais ações, destacadas pela secretária, correspondem a clausula sexta do Acordo estabelecido com a CIDH: “O Estado do Maranhão, no âmbito das suas competências constitucionais, manterá a prevenção e enfrentamento à violência decorrente de conflitos por terra como objetivos da sua atuação e, com finalidade de garantir acesso à Justiça e promover a paz no campo e na cidade. (...)” . Em resposta às demandas do Acordo, o Campus do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) de Peritoró/MA foi batizado com o nome de Assis, a placa in memoriam foi fixada no prédio, durante a Semana Estadual de Direitos Humanos de 2022, nessa segunda-feira (12), conforme cláusula quarta do acordo.
A cerimônia contou com a presença da Secretária de Estado da Sedihpop, Amanda Costa, do coordenador da Comissão Estadual de Enfrentamento à Violência no Campo e na Cidade, Jonata Galvão, do Diretor-geral do IEMA, Alex Oliveira, da diretora do Iema do Campo/Peritoró, além do corpo discente, docente e técnico. Também estiveram presentes os familiares de Assis: os filhos Luciano, Marcya Jeane, Lucilene e Sueli; da bisneta Lara Sophia e do genro, Francisco Felix (esposo de Marcya).
Ainda como medidas de memória e verdade, a Sedihpop lançou em dezembro de 2021, o Dossiê Temático com artigo sobre o Caso Francisco de Assis e o processo de reparação conduzido a partir das Recomendações da CIDH; houve uma publicação de artigo jornalístico no site “Pelo Mundo de autoria do ex-secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular; e foi realizado no dia 07 de dezembro de 2021, o I Encontro Francisco de Assis Ferreira, que reuniu lideranças de comunidades e povos tradicionais em conflito socioambientais no Maranhão, ações que correspondem a quinta demanda do acordo..
Sobre o conflito e a petição junto a OEA
No final da década de 1950, um fazendeiro registrou indevidamente as terras e tentava expulsar as famílias de trabalhadores rurais do local. Em 2001, diante do arquivamento do caso na justiça brasileira, a Justiça Global e a SMDH recorreram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), denunciando e responsabilizando o Estado brasileiro pela morte de Assis.