Só na Segunda Guerra

Só na Segunda Guerra

Em 9/08/2021

Chico Gonçalves, professor do Departamento de Comunicação Social da UFMA, secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular, filho de Sofia.

O Dia das Mães, no nosso país, como outras festas a exemplo do Natal, é uma festa da família. O costume de reunir a família no segundo domingo de maio para almoçar, tomar café ou mesmo lanchar, no ano passado e neste ano, foi profundamente afetado pela pandemia. Entre os rituais do Dia das Mães, um, no entanto, permanece: o de tomar a benção. Ainda hoje tomo benção para a minha mãe. Considero pedir a benção para os pais e os mais velhos um belo costume, cheio de afetos e de espiritualidade.

Neste ano, porém, nem todas as mães, avós e bisavós puderam abençoar os seus filhos netos e bisnetos. Do mesmo modo, muitos filhos, netos e bisnetos não puderam pedir a benção para suas mães, avós e bisavós, em muitos casos, por conta de internações e mortes decorrentes da Covid-19. A pandemia trouxe ao nosso país uma realidade vista apenas na Segunda Guerra Mundial, filhos sem mãe e mãe sem filhos.

Mas nada disto trata-se de uma fatalidade. Trata-se de um aviso e um imprudência criminosa. Pandemia do coronavírus nos alerta sobre as relações entre nós e entre nós e a natureza, do modo como nos relacionarmos do ponto de vista socioeconômico e do modo como tratamos os outros seres que habitam o planeta conosco. Mas também trata-se de uma imprudência criminosa, da ausência de um plano nacional de enfrentamento à covid-19, da falta de medidas para proteger a vida no país, a saúde das pessoas.

E ainda das tentativas de desacreditar a ciência e as medidas sanitárias para auferir dividendos políticos e promover a política da morte, cujas caravanas costumam assombrar as manhãs de domingo, na contramão do que ensinava Lucas, médico e evangelista. Sim, Lucas, além de escrever um dos quatro Evangelhos e o Ato dos Apóstolos, também era médico. Este é um daqueles momentos em que precisamos, como Lucas, combinar sabiamente fé, ciência e política a favor da vida, da vida de todos.

Mais de 400 mil brasileiros e brasileiras já perderam a vida para a covid-19. E esta é uma realidade insustentável. Já existe vacina para o vírus. É preciso garantir que essa vacina chegue de forma rápida e segura para todas as famílias, para que as mães não fiquem sem filhos e filhos não fiquem sem mãe. O presidente da República não pode se comportar como o garoto propaganda do coronavírus. E as caravanas da morte que assombram nossos domingos com pedidos de “ditadura já!” devem ser esconjuradas com o “VACINA JÁ!”.