3ª edição do Festival Cultural Iemanjá, Rainha do Mar, reúne cultura, fé e serviços de cidadania em São Luís
A 3ª edição do Festival Cultural Iemanjá, Rainha do Mar, realizada neste sábado (28), na Praça do Sol, na Ponta D’Areia, reafirmou o compromisso do Governo do Maranhão com a valorização das religiões de matriz africana e o enfrentamento ao racismo religioso. O evento reuniu povos de terreiro, movimentos sociais e a população em uma grande celebração de fé, ancestralidade e direitos.
Promovido pelo Governo do Estado, sob coordenação da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), o festival consolidou-se como espaço de resistência cultural, diálogo inter-religioso e fortalecimento das políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais.
Para o secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular em exercício, Genilson Alves, o festival reafirma o papel do Estado na promoção da igualdade e no combate ao preconceito.
“O Festival Cultural Iemanjá, Rainha do Mar, é mais do que uma celebração religiosa. É um ato público de respeito às tradições de matriz africana, de valorização da nossa ancestralidade e de enfrentamento ao racismo religioso. Ao reunir cultura, fé e serviços de cidadania, o Governo do Maranhão reafirma seu compromisso com a liberdade de crença, com a proteção das comunidades tradicionais e com a construção de uma sociedade mais justa e plural”, destacou o secretário.
A programação teve início com a abertura oficial, marcada por falas institucionais e acolhimento ao público. Em seguida, o tradicional cortejo conduziu o presente dedicado a Iemanjá, reunindo filhos e filhas de santo, lideranças religiosas e participantes em um momento de profunda espiritualidade e reverência à Rainha do Mar.
O momento simbolizou união, respeito às tradições e fortalecimento da luta contra a intolerância e o racismo religioso, tema central desta edição.
“ É um marco, porque os nossos ancestrais lutaram muito por isso e não conseguiram alcançar esse momento. Hoje, nós estamos fazendo a diferença e concretizando aquilo pelo qual eles lutaram. Para nós, é um passo grande e significativo no enfrentamento à intolerância religiosa e ao racismo que ainda avassala todo o nosso país. Que Mãe Iemanjá nos traga mais fortalecimento, mais conhecimento e mais direção, guiando-nos por caminhos cada vez melhores.”, afirmou Mãe Jandira de Oxossi, presidente da Associação de Matriz Africana Unidos Pela Fé de São José de Ribamar.
Cultura popular e protagonismo dos povos de terreiro
A programação cultural movimentou o público ao longo da tarde com apresentações que exaltaram a diversidade e a riqueza das manifestações afro-brasileiras.
Subiram ao palco os Reis do Terecô, fortalecendo a tradição maranhense; a Banda Tambores que Falam, em formato de palco aberto, promovendo interação e celebração coletiva; o TC Rosas Douradas de São Benedito, com sua expressão vibrante da cultura popular; e o encerramento ficou por conta do grupo Abiyeye Maylô, que conduziu o público em um momento de música e celebração da ancestralidade.
Além das apresentações, a Feirinha Afro Criativa reuniu afroempreendedores com comercialização de comidas de terreiro, artesanato, bijuterias, roupas em rechilieu, ankaras e vestimentas tradicionais, fortalecendo a economia solidária e o protagonismo das comunidades.
Serviços garantem acesso a direitos
O festival também se destacou pela oferta de serviços gratuitos à população. Durante toda a programação, o público contou com atendimentos do Procon/MA, SETRES (com Sine Itinerante), Defensoria Pública do Estado, por meio da Carreta de Direitos, Secretaria Estadual de Saúde, Corpo de Bombeiros, DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) e Secretaria de Estado da Igualdade Racial (Seir).
Foram disponibilizados serviços como emissão de documentos (exceto RG), orientação jurídica, consultas de saúde, aferição de pressão arterial, medição de glicemia, vacinação e atendimento preventivo, ampliando o acesso a políticas públicas e fortalecendo a cidadania.
Origem do festival
Em julho de 2023, a estátua de Iemanjá localizada na Praça de Iemanjá, na praia do Olho d’Água, em São Luís, foi depredada, em um episódio classificado por lideranças religiosas e pelo Governo do Estado como ato de racismo religioso. O ataque, que danificou o rosto da imagem, gerou forte repercussão e foi repudiado por atingir não apenas o patrimônio, mas a fé e a identidade cultural dos povos de terreiro.
Após o ocorrido, o Governo do Maranhão restaurou a obra e revitalizou a praça, reforçando o compromisso com o respeito à liberdade religiosa. Esse contexto fortaleceu a consolidação do Festival Cultural Iemanjá, Rainha do Mar como espaço de valorização da ancestralidade e de enfrentamento à intolerância religiosa no estado.